A tal pergunta que fica: quem sou, afinal?

Published on 5 November 2025 at 12:55

Se tirarmos nosso cargo, o que sobra?

 

Quando conhecemos alguém, é quase automático: “O que você faz?”. A produtividade virou um atributo essencial e o que fazemos passou a nos definir enquanto seres humanos.

 

Mas, quando penso na resposta: “trabalho com…” ou “sou formada em…”, sinto um certo vazio existencial. Porque, na realidade, a nossa função é apenas um pequeno trecho de uma história muito mais complexa.

 

Lembro-me da primeira vez em que me fizeram a pergunta: “Quem é você?”. Fiquei em silêncio. Não por falta de palavras, mas por não saber onde começar. Talvez esse seja o ponto de partida de um mergulho profundo no autoconhecimento.

 

Se tirarmos os crachás, os diplomas, os sobrenomes e os filtros, o que resta?
Se a sensação de poder e status desaparecesse da noite para o dia, o que ficaria?

 

Somos a voz por trás dos papéis que exercemos: profissional, social, familiar.
Somos corpo e alma, suor e lágrima, riso e exaustão.
Somos oscilações e equilíbrio, força e fragilidade.
Somos tudo… e, ao mesmo tempo, não somos nada.

 

Viver é seguir buscando respostas que raramente se mostram nítidas. De vez em quando, é preciso silenciar.
Abrir espaço para esse encontro íntimo, assustador, mas também libertador.

 

Quem eu sou...

 

Hoje me reconheço como alguém tentando ser uma versão melhor de mim mesma. Uma criança tímida e assustada que, na vida adulta, tenta segurar a própria mão e se arriscar mais.

 

Sou emoção à flor da pele e já entendi que isso não é fraqueza, é potência.

 

Sou alguém que lutou muito contra a ansiedade e que agora a acolhe como parte do que é, aprendendo com terapia e com a vida o valor do equilíbrio, dos limites, do “não” dito com amor.

 

Hoje me importo menos com o que pensam. Tento me divertir sozinha, celebro a alegria de fazer os outros felizes. Passei a valorizar o tempo de qualidade e o autocuidado.

 

Sou diferente de tudo o que projetei. Não sou mãe, não sou uma grande empresária, ainda não conheci o mundo todo, mas há tempo. Há vida depois dos 30.

 

Aprendi que o tempo de Deus é diferente do meu. Às vezes, irritada. Outras, resignada. Mas sigo.

 

Hoje valorizo ainda mais minha família, peço desculpas com mais facilidade e reconheço a espiritualidade como força motriz de tudo o que sou e faço.

 

Tenho cada vez mais certeza de que não controlamos nada e que o tempo corre depressa demais, especialmente quando estamos com quem amamos.

 

Sou medo e sou coragem.
Sou alegria e tristeza.
Sou a criança e a mulher.
Sou tudo isso, e ainda estou me descobrindo.

 

E você já parou para se perguntar quem é, tirando o trabalho, os rótulos, as expectativas?

 

Compartilhe comigo a sua história.


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